Pombal
(1699 - 1782)

o fundador do Portugal moderno

Extremamente ambicioso, este homem de personalidade controversa queria nem que fosse à força modernizar Portugal.

    Eram 23:30 do dia 3 de Setembro de 1758. Uma sege dirigia-se de Lisboa para Belém quando três homens mascarados surgiram da escuridão e lhe saíram ao caminho. soou um tiro, e o cocheiro chicoteou os cavalos, pondo-os a galope. Mais adiante, outros dois assaltantes abriram fogo. As balas dos mosquetes perfuraram o lado da sege e alojaram-se no braço e no ombro direitos de um dos ocupantes, o rei D. José I de Portugal.
    No Palácio Real da ajuda, já com os ferimentos tratados, o monarca mandou chamar o seu primeiro-ministro e confidente de longa data, Sebastião José de Carvalho e Melo, que ficou conhecido na história como marquês de Pombal.

    Nada na vida pregressa desse  homem de origem modesta fazia supor que viria a ser confidente de reis. Nascido em 1699, em Soure, filho de um capitão do exército, aposentado, fidalgo da província, recebera instrução incompleta com os jesuítas em Coimbra, antes de cumprir o serviço militar. Em Lisboa, buscou subir na vida através da influência de um tio, um religioso íntimo do primeiro-ministro de D. João V, o cardeal da Mota, mas não teve êxito.
    Sem muitos outros recursos, Sebastião José tentou tirar partido da sua boa aparência e de uma notável vitalidade. trajado todo de branco, para fazer sobressair seu porte de 1,80 m, entrou na vida boémia com jovens fidalgos de Lisboa, que se divertiam em arruaças pelas tabernas e metendo-se com quem passava. Com isso, ganhou notabilidade bastante para ter a ousadia de propor casamento à filha do marquês de Távora. Irritado por ver rejeitada sua proposta, Carvalho e Melo deixou o exercito e voltou a Soure. Contava pouco mais de 20 anos, e parecia não ter grande futuro.

    Praticamente nada se sabe do que teria feito durante 10 anos , encafuado no interior e detestando a nobreza. Quando a morte do pai o fez retornar a Lisboa, para gerir o património, o Cardeal João da Mota arranjou-lhe um lugar de pouca importância na academia de História, recém-formada. As portas de aristocracia ainda não se abriam para ele, mas agora, mais velho e mais confiante, ele não desistiu. fez a corte a uma viúva de boa família , Teresa de Noronha, que fugiu com ele. Embora a família de Teresa nunca aceita-se Carvalho e Melo, de um momento para outro ele passou a estar relacionado com quase todo mundo na corte. Com dinheiro da mulher e os bens que herdou com a morte do tio, o plebeu, extremamente ambicioso, tinha agora recurso compatíveis com o seu novo status.

    Em 1738, D. João V garantiu a Carvalho e Melo o importante lugar de ministro plenipotenciário em Londres. Foi lá que ele viu como funcionava um país gerido por uma classe dinâmica e racionalista, dedicada ao comércio. Portugal, por sua vez, estava nas mãos de uma aristocracia supersticiosa, improdutiva e retrógrada, e de um clero (10% da população do país) que devia mais obediência a Roma que portuguesa. Em Londres, Sebastião José enriqueceu seus conhecimentos com lvros dom iluminismo do século XVIII que em Lisboa estavam proibidos pela Inquisição. Assimilou ideias e, após retornar a Lisboa, em 1745, começou a organizar uma versão da Companhia das Índias Orientais, britânica.

    A nova companhia ia interferir com lucros de comerciantes privilegiados, de modo que D. João V enviou Carvalho e Melo à Áustria numa delicada missão diplomática que levaria anos a desempenhar, durante os quais os grandiosos planos do ministro iriam morrer no esquecimento.

    Mas, se em Londres deu a Carvalho e  Melo novas ideias, os quatro anos em Viena proporcionaram-lhe meios de pô-las em prática. Ele insinuou-se na alta roda da nobreza vienense, e apaixonou-se por Leonor Daun, jovem de poucos recursos financeiros, dama de honor na corte, cuja ascendência nobre datava do século XII. Sebastião José, então viúvo, casou com Leonor, cujas credenciais eram tão fidedignas que , quando o casal veio para Portugal, foi praticamente adoptado pela mulher de D. João V, de origem austríaca.

    O rei estava moribundo, e a ascensão política de carvalho e Melo foi temporariamente interrompida. Servindo-se da influência da esposa, ele insinuou-se junto do príncipe herdeiro, D. José. quando o rei faleceu e D. José ocupou o trono, este recorreu a um dos homens em quem mais confiava, e fê-lo ministro da guerra e dos Negócios Estrangeiros.

    Contando já 51 anos, o ministro era um ergo maníaco (trabalhador infatigável), enquanto o rei era indolente. O ministro aparecia frequentemente no palácio com papéis para assinar, mas o rei, mais preocupado com a caça e com a ópera, concordava com tudo. Quando o primeiro-ministro morreu, umas semanas depois do grande terramoto de 1755, Carvalho de Melo, cuja dinâmica atitude na hora da crise o tornou respeitado, foi imediatamente nomeado para ocupar o cargo.

    A tentativa de regicídio na pessoa de D. José propiciou ao marquês de Pombal o pretexto de que precisava para libertar o rei e o país do jugo jesuíta. A questão tornou-se embaraçosa para um monarca tido como profundamente religioso, casado e pai de quatro filhas, mas que gostava de ter os seus casos amorosos. Na noite do atentado, ele estava a voltar de uma visita a casa de uma das amantes, a jovem marquesa de Távora. As famílias Aveiro e Távora, ligadas pelo casamento, sentiam-se ofendidas por esse adultério. Admitia-se que a emboscada para matar o rei houvesse sido perpetrada para salvar a honra da dama.

    Havia, porém, algo mais do que isso. Membros dessas duas nobres famílias tinham por várias vezes criticado o regime, mas achavam-se sob protecção dos jesuítas. O marquês de Pombal só precisava agora da anuência de D. José para perseguir seus inimigos.

   

  http://www.terravista.pt/portosanto/1631/marques.htm